O que é a síndrome nefrótica, principais sintomas e tratamento
Médica de Saúde Familiar
Janeiro 2020
A síndrome nefrótica é um problema renal que causa a excreção excessiva de proteínas pela urina, causando sintomas como urina com espuma ou inchaços nos tornozelos e pés, por exemplo.
Geralmente, a síndrome nefrótica é provocada por lesões constantes nos pequenos vasos sanguíneos dos rins e, por isso, pode ser provocada por vários problemas, como diabetes, artrite reumatoide, hepatite ou HIV. Além disso, também pode surgir devido ao uso excessivo de alguns remédios, como anti-inflamatórios não esteroides.
A síndrome nefrótica tem cura nos casos em que é provocada por problemas que podem ser tratados, no entanto, nos outros casos, embora não tenha cura, os sintomas podem ser controlados com o uso de remédios e uma dieta adaptada. Já no caso da síndrome nefrótica congênita é necessário fazer diálise ou transplante de rim para atingir a cura do problema.

Principais sintomas
Os principais sintomas relacionados à síndrome nefrótica são:
- Inchaço nos tornozelos e nos pés;
- Inchaço no rosto, principalmente nas pálpebras;
- Mal-estar geral;
- Dor e inchaço abdominal;
- Perda de apetite;
- Presença de proteínas na urina;
- Urina com espuma.
A síndrome nefrótica pode acontecer devido a doenças renais, mas também pode ser consequência de outras situações, como por exemplo diabetes, hipertensão, lúpus eritematoso sistêmico, doenças cardíacas, infecções por vírus ou bactérias, câncer ou uso frequente ou excessivo de alguns medicamentos.https://6b9ecc96b16bacc699afc9d00b981eed.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Como é o diagnóstico
O diagnóstico da síndrome nefrótica é feito pelo nefrologista ou clínico geral e, no caso das crianças, pelo pediatra, e é feito baseando-se na observação dos sintomas e do resultado de alguns exames de diagnóstico, como exame de urina, urina de 24 horas, hemograma e biópsia dos rins, por exemplo.
Tratamento para síndrome nefrótica
O tratamento para síndrome nefrótica deve ser orientado por um nefrologista e geralmente inclui o uso de remédios para aliviar os sintomas provocados pela síndrome, que incluem:
- Remédios para pressão alta, como Captopril, que atuam diminuindo a pressão arterial;
- Diuréticos, como Furosemida ou Espironolactona, que aumentam a quantidade de água eliminada pelos rins, diminuindo o inchaço provocado pela síndrome;
- Remédios para reduzir a ação do sistema imune, como corticoides, pois ajudam a diminuir a inflamação nos rins, aliviando os sintomas.
Além disso, em alguns casos, também pode ser necessário tomar remédios para tornar o sangue mais fluído, como Heparina ou Varfarina, ou remédios para reduzir os níveis de colesterol, como Atorvastatina ou Sinvastatina, para reduzir os níveis de gorduras no sangue e na urina que aumentam devido a síndrome, evitando o surgimentos de complicações como embolia ou insuficiência renal, por exemplo.
O que comer
A dieta para síndrome nefrótica ajuda a aliviar os sintomas provocados pelo problema e a evitar novas lesões nos rins. Assim, é recomendado fazer uma alimentação equilibrada, mas pobre em alimentos com sal ou gordurosos, como frituras, embutidos ou alimentos industrializados, por exemplo. Caso o inchaço, chamado de edema, seja volumoso, o médico pode recomendar a restrição de ingestão de líquidos.
No entanto, a dieta deve ser sempre orientada individualmente por um nutricionista de acordo com os sintomas apresentados. Veja como substituir o sal na alimentação.Esta informação foi útil?SimNão

INFORMAÇÃO DO AUTOR:
Médica de Saúde FamiliarFormada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.
O que pode ser proteína na urina (proteinúria), sintomas e como tratar
BiomédicaJunho 2020
A presença de proteínas em excesso na urina é conhecida cientificamente por proteinúria e pode ser indicador de várias doenças, enquanto que baixos níveis de proteína na urina são considerados normais. Isso acontece porque as moléculas de proteína são grandes em tamanho e, por isso, não conseguem passar através dos glomérulos ou filtros renais, não sendo normalmente excretadas na urina.
Os rins filtram o sangue, eliminando aquilo que não interessa e retendo aquilo que é importante para o organismo, no entanto, em algumas situações, os rins permitem que as proteínas passem pelos seus filtros, causando um aumento do teor proteico na urina.

Causas e tipos de proteinúria
O aumento da quantidade de proteínas na urina pode acontecer devido a diversas situações e, dependendo da causa e do tempo que se pode detectar a presença de proteínas na urina, a proteinúria pode ser classificada em:
1. Proteinúria transitória
As situações que causam uma elevação temporária de proteínas na urina são:
- Desidratação;
- Estresse emocional;
- Exposição a frio extremo;
- Febre;
- Exercício físico intenso.
Estas situações não são motivo para preocupação, sendo normalmente passageiro.null
2. Proteinúria ortostática
Na proteinúria ortostática, a quantidade de proteína na urina aumenta quando se está de pé, e normalmente observa-se em crianças e jovens que são altos e magros. A secreção de proteínas na urina acontece principalmente durante o dia, quando os níveis de atividade são altos, por isso, se a urina for colhida pela manhã, ela não deverá conter proteínas.
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3. Proteinúria persistente
As doenças e situações que causam elevados níveis de proteína na urina de uma forma persistente, podem ser as seguintes:
- Amiloidose, que consiste numa acumulação anormal de proteínas nos órgãos;
- Uso prolongado de alguns medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides;
- Doença crônica ou doença renal policística dos rins ou infecção dos rins;
- Doença do coração ou infeção do revestimento interno do coração;
- Linfoma de Hodgkin e mieloma múltiplo;
- Glomerulonefrite, que consiste na inflamação dos glomérulos renais;
- Diabetes, porque afeta a capacidade dos rins para filtrar o sangue ou reabsorver as proteínas no sangue;
- Pressão alta, que danifica as artérias localizadas dentro e ao redor dos rins, afetando negativamente a função destes órgãos;
- Nefropatia IgA, que consiste numa inflamação renal resultante de um acúmulo do anticorpo imunoglobulina A;
- Sarcoidose, que consiste no desenvolvimento e crescimento de aglomerados de células inflamatórias nos órgãos;
- Anemia falciforme;
- Lúpus;
- Malária;
- Artrite reumatoide.
Valores altos de proteína na urina também podem acontecer na gravidez, podendo estar relacionada com diversos fatores, como o aumento do trabalho dos rins para filtrar o excesso de líquidos, excesso de estresse, infecção urinária, ou em casos mais graves, pré-eclâmpsia. Veja mais sobre estes os sintomas de proteinúria na gravidez.null
A pré-eclâmpsia consiste numa complicação séria da gravidez, que deve ser detetada o mais rápido possível, para poder evitar problemas de saúde na grávida, podendo estar associada a outros fatores como aumento da pressão arterial, dor de cabeça ou inchaço no corpo. Saiba mais sobre a pré-eclampsia.

Possíveis sintomas
A proteinúria pode ser resultado de diversas situações, não sendo os sintomas especificamente relacionados à presença de proteínas na urina, mas sim às causas.
No entanto, se a proteinúria for indicativa de doença renal, podem surgir outros sintomas como enjoos e vômitos, diminuição na produção de urina, inchaço nos tornozelo e em torno dos olhos, sabor desagradável na boca, fadiga, falta de ar e de apetite, palidez, secura e coceira generalizada na pele. Além disso, a urina também pode estar espumosa e provocar dor e sensação de queimação ao urinar. Entenda o que é insuficiência renal, sintomas e como é feito o tratamento.
O tratamento depende muito da causa da proteinúria, por isso deve-se ir ao médio de forma a fazer o diagnostico correto, e determinar o que esta a provocar o excesso de proteína na urina.null
Como é feito o exame
As proteínas podem ser detetadas facilmente na urina por meio do exame de urina de tipo 1, também conhecido EAS, em que uma tira de papel com reagentes químicos é mergulhada na amostra de urina, e caso exista grande quantidade de proteína na amostra, uma parte específica da tira muda de cor. Veja como entender o resultado do exame EAS.
Caso seja verificado que a urina tem grandes quantidades de proteína, pode ser também realizado um exame de urina de 24h, para a medição de proteína e depuração de creatinina, que ajuda a avaliar e controlar a função do rim, ajudando assim a detetar possíveis doenças. Saiba tudo sobre o exame de urina de 24 horas.
As amostras de urina são recolhidas num ou mais recipientes, durante um período de 24 horas, e mantidos num local fresco. Depois, são enviados para um laboratório para serem analisados. Este teste não mostra que tipos de proteína estão presentes na urina, assim, para determinar os tipos de proteína presentes, o médico pode aconselhar a realização de outros testes como por exemplo uma eletroforese das proteínas presentes na urina.
Como se preparar para o exame
Antes de realizar o exame, deve-se falar com o médico de forma a se preparar corretamente, para que o resultado não seja errado. Assim, pode ser necessário parar de tomar alguns medicamentos ou suplementos que possam interferir com os resultados do teste.
Outros fatores podem interferir com o teste, como desidratação ou não beber água suficiente, ter sido submetido a um exame radiológico de contraste em que tenha sido utilizado algum tipo de corante, ter sido submetido a uma situação de estresse emocional extremo, exercício físico extremo, caso tenha uma infecção urinária, ou caso a urina esteja misturada com secreções vaginais, sangue ou sêmen.
Caso o exame da urina seja feito em mulheres, é muito importante esperar 5 a 10 dias após o término do ciclo menstrual antes de fazer o exame, para evitar contaminar a urina com vestígios de sangue do período.Esta informação foi útil?SimNão

INFORMAÇÃO DO AUTOR:
BiomédicaFormada pela Universidade Federal de Pernambuco em 2017. Possui habilitação em análises clínicas e experiência em biossegurança e controle de infecção